Os municípios utilizam cada vez mais sensores, equipamentos conectados e plataformas digitais para monitorizar diferentes áreas do território. Qualidade do ar, meteorologia, água, energia, estacionamento, mobilidade ou edifícios municipais são apenas alguns exemplos.
À medida que estas soluções aumentam, surge um novo desafio: garantir que diferentes tecnologias conseguem comunicar e partilhar informação entre si.
Um município pode ter vários sistemas a funcionar corretamente e, ainda assim, manter os dados dispersos por diferentes plataformas. A interoperabilidade IoT procura precisamente evitar esta fragmentação.
O que significa interoperabilidade IoT?
A interoperabilidade IoT é a capacidade de diferentes dispositivos, sistemas e plataformas trocarem e utilizarem dados de forma consistente, mesmo quando pertencem a fabricantes diferentes ou recorrem a tecnologias distintas.
Num mesmo território, um sensor pode utilizar LoRaWAN, outro comunicar através de NB-IoT ou LTE-M, enquanto determinado sistema disponibiliza informação através de uma API. Não é necessário que todos utilizem a mesma tecnologia. O importante é existir uma arquitetura capaz de receber, interpretar, estruturar, normalizar e partilhar os dados.
Porque é importante para os municípios?
Um território integra diferentes áreas de gestão que, apesar de terem objetivos distintos, podem produzir informação relevante para uma visão global do município.
Uma plataforma para monitorização ambiental, outra para estacionamento, outra para energia e outra para água podem responder individualmente às necessidades de cada serviço, mas dificultar a criação de uma visão integrada.
Uma arquitetura interoperável permite:
- Integrar sensores e equipamentos de diferentes fabricantes;
- Centralizar informação proveniente de várias áreas;
- Normalizar os dados para utilização por diferentes sistemas;
- Disponibilizar informação através de APIs;
- Integrar dados numa Plataforma de Gestão Urbana (PGU);
- Incorporar novas tecnologias à medida que as necessidades do território evoluem.
Do sensor à Plataforma de Gestão Urbana
A interoperabilidade torna-se particularmente relevante quando o município dispõe de uma Plataforma de Gestão Urbana (PGU).
Imagine, por exemplo, um sensor instalado para monitorizar o nível da água numa zona vulnerável a cheias. O equipamento realiza uma medição e transmite o valor para uma plataforma IoT. A informação é associada ao respetivo sensor e localização, armazenada para consulta histórica e analisada de acordo com regras e limiares previamente configurados. Se determinado nível for ultrapassado, pode ser gerado automaticamente um alarme. A mesma informação pode ser disponibilizada à PGU, juntamente com elementos como a localização, unidade de medida, data e hora da medição, estado do equipamento e estado do alarme. Desta forma, os dados deixam de estar limitados à aplicação que os recolheu e podem passar a integrar uma visão mais abrangente do território.
Normalizar os dados para facilitar a integração
A interoperabilidade não depende apenas da existência de uma ligação entre duas plataformas. Os sistemas também precisam de compreender a informação que recebem. Um determinado valor deve estar associado ao respetivo equipamento, localização, variável monitorizada, unidade de medida e momento da recolha, entre outros metadados relevantes. A utilização de modelos de dados normalizados facilita este processo e permite que a informação seja reutilizada por diferentes aplicações.
Sempre que aplicável, podem ser adotados referenciais como Smart Data Models da FIWARE ou modelos NGSI-LD, promovendo uma maior normalização e interoperabilidade entre plataformas.
Interoperabilidade para reduzir a dependência tecnológica
A interoperabilidade tem também uma dimensão estratégica. As necessidades de um município evoluem. Novos sensores podem ser instalados, determinados equipamentos podem ser substituídos e novas verticais podem ser acrescentadas ao longo dos anos. Uma arquitetura aberta permite integrar progressivamente essas tecnologias sem obrigar todo o ecossistema a depender de um único fabricante ou solução. Esta flexibilidade contribui para proteger o investimento realizado e facilita a evolução da infraestrutura tecnológica municipal.
SmartHive: a plataforma IoT da W4M
A SmartHive é a plataforma IoT da W4M, desenvolvida para permitir a gestão centralizada de sensores, equipamentos e dados provenientes de diferentes sistemas e tecnologias.
A plataforma recolhe, estrutura e normaliza a informação, disponibilizando-a através de dashboards, mapas, relatórios, alarmes e regras de automação.
Os dados podem igualmente ser disponibilizados a sistemas externos através de APIs, permitindo, por exemplo, a integração com Plataformas de Gestão Urbana.
A mesma plataforma pode centralizar informação proveniente de diferentes áreas, incluindo: Ambiente e qualidade do ar; Meteorologia; Água; Energia; Mobilidade e estacionamento; Edifícios; Resíduos e Outras infraestruturas e equipamentos IoT.
A W4M assegura também os serviços associados à implementação do projeto, desde a análise técnica e dos requisitos de conectividade à seleção e instalação dos equipamentos, configuração da plataforma, parametrização de dashboards e alarmes, testes e integração com sistemas existentes.
Esta abordagem permite desenvolver projetos IoT preparados para crescer e integrar novas tecnologias.
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